Jan

21

Oh Sweet Lord, what’s next?

by Cláudia Gonçalves

Bebés Reborn: Mães que fingem um amor que deveras sentem in Sol: http://sol.sapo.pt/inicio/Vida/Interior.aspx?content_id=39438

Confesso que li esta reportagem duas vezes para me certificar se estava a ler bem. Confesso que pensei por breves segundos que tinha perdido a minha capacidade de ler e assimilar em Português. Poucos segundos depois, sorri com a ideia de ver o grande Fernando Pessa a fazer uma reportagem na RTP1 estivesse ele ainda entre nós.

Confesso também que pensei bastante bem antes de escrever sobre este artigo. Porque falar das coisas é dar-lhes importância. Mas depois conclui que há coisas que não podemos apenas ignorar. E sobre isto tenho algo a dizer.

Eu não sou mãe. Mas espero um dia ser mãe. E quantos mais melhor, os que a carteira e a vida permitir mas de preferência muitos putos ranhosos a pular pela casa e a dar-me cabo do juízo…

Agora eu não percebo nada destas coisas de ser mãe… Mas BOLAS!! Sou eu, ou há por ai muita gente que precisa de ajuda psicológica e depressa.

Estas senhoras, se têm tempo com fartura, se querem dar amor, atenção porque não adoptam crianças para amar e educar?

Se têm o tempo, a disponibilidade e a capacidade financeira porque não se voluntariam e vão dedicar o seu tempo livre, a sua experiência e sabedoria com bebés, crianças e adolescentes que precisam?

Andar a passear bebés de vinil realistas não me parece que seja um comportamento saudável. E se isto já se torna moda, meu Deus, leva-me a pensar se não estaremos a entrar outra vez na Idade Média.

Eu nunca perdi um filho, e com muita sorte, espero nunca estar nessa situação, mas não é preciso ser-se psiquiatra para se entender que ter um boneco que se controla não é saudável. No fundo, estas mulheres querem controlar. Criar rotinas, que elas dominam, mostrar às outras pelos blogs, as novas roupinhas que compraram, os sapatinhos e os gorrinhos e as novas técnicas de amamentar de forma mais realista. Não querem saber de mais ninguém a não ser elas próprias. Afinal uma criança é um ser humano, com vontades, ideias (malucas ou não), vontades, opiniões. E isso dá trabalho.

Educar um ser diferente de nós não é controlar, é aprender com eles, explorar um mundo de ideias novas e aprendizagens. Um bebé de vinil pode ficar no armário quando a mãe se aborrece e quer ir à depilação.

Gente maluca, desiquilibrada e idiota há-de haver muito por aí, mas a verdade o que me choca, não são aquelas mães que perderam os filhos e querem um substituto, essas tem uma causa para o seu desiquilibrio. O que me choca é a normalidade com que tudo isto se faz, como é que um comportamento destes se torna numa moda, corre mundo e ganha adeptos?

Epá, poupem-me! Estas bonecas devem estar à venda no mercado, para coleccionadores, para pais ricos darem às suas filhotas para estragar, para se usarem em filmagens, no teatro etc…A culpa não é das bonecas! A culpa é das pessoas que cada vez mais acham que o controlo dá felicidade. O controlo de horários, o controlo das rotinas, das opiniões, dos gostos, dos sonhos…. O controlo sobre outro ser, mesmo pequenino não existe. Não é a mãe que controla o bebé. O bebé controla os pais, entre dores de dentes, choros de fralda suja e fome, constipações, e brincadeiras, os bebés à séria controlam tudo à sua volta. E esta gente quer um bebé de brincar para quê?

Basicamente, eu só estou chocada porque há dias em que leio as notícias e penso: Oh Sweet Lord, what’s next?… Medo… :P

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