May

29

Um ano em Londres…

by Cláudia Gonçalves

Comecei o mês de Maio no desespero do começar a pensar o que foi a minha vidinha num ano em Londres…

Puxava pela cabeça e pensava que poderia escrever, o que mudou em mim, se estou melhor se estou pior…Meio confusa, porque sim, a minha vida aqui tem tido altos e baixos, decidi pedir a opinião aos meus amigos mais chegados…Daqueles daqui e dos que estão aí em Terras dos Pastéis de Nata…

Mandei um mail a todos, e todos me responderam menos as duas aves raras que moram comigo…Ainda não entendi porquê…Eu bem que insisti mas eles ignoraram-me totalmente. Adiante…Eu também hei-de ter os meus defeitos, para além de estar a fazer crescer salsa na sala de estar…

O resultado deste pedido foi no mínimo interessante. A sondagem foi muito emocionante com mails muito melosos, outros nem tantos, mas o resultado foi muito claro: não mudaste nada, estás é mais madura, mais bonita, mais tu…

Todos os meus amigos mais chegados (alguns nem se conhecem entre si) me vieram com este resultado. Tal resultado fez-me pensar…

Será que até pode ser verdade?? Será que mudei a minha vida e eu não mudei…

Não é BEEEMMMM assim…Afinal, como respondo a toda gente aqui (sobretudo quando os Ingleses, confusos, tentam perceber porque deixei o clima Português para vir morar para o meio da chuva molha parvos que as vezes está frio e outras vezes está calor): a minha vida não tem sido nada fácil, teve altos e baixos aqui, mas a verdade é que nunca me senti tão feliz, tão bonita, e tão EU!

Estas últimas semanas não têm sido nada fáceis para mim, está na hora de meter mãos na terra e tomar decisões. Está na hora de dar mais passos em frente, são estas as alturas de maior stress e cansaço, mas ainda me consigo rir de mim mesma quando cozo os vegetais a vapor sem água, ou quando aceito elogios inesperados no meio da rua…Mas isso fica para outra história…

A verdade é que as coisas mais dificeis de lidar, que me torturam durante a noite são as saudades e as preocupações de estar longe da mãe e do irmão, e dos parentes e dos amigos.

Perder o meu pai fez-me perceber o valor do tempo de qualidade que passamos com as pessoas que amamos. Perder o meu pai fez-me balançar entre se valia a pena ficar aqui e num acto quiçá um pouco egoista não estar perto das pessoas que amo e partir de volta a rumos de casa. Tive que tomar esta decisão mas depois pensei que eles não me querem lá se eu não estiver feliz a 100% lá, não sei ficar nem ser alguém só a 75% tenho que ser por inteiro e sinto apenas que não está na hora…

Por isso o balanço do primeiro ano é:

a) a vida não é nada, nadica de nada mesmo, do que estamos à espera;
b) os nossos planos, mesmo que se concretizem, saem sempre furados, porque acontece sempre qualquer coisinha que nos coloca sempre noutra perspectiva
c) só faz sentido fazermos as coisas enquanto elas nos fizerem felizes
d) superei-me em 3500 coisas desapontei-me com mim mesma em 2 ou 3…(nada mau…)
f) continuo com os mesmos defeitos: com mania que sou mãezinha de todos incluindo da minha mãe! mas pelo menos tenho mais consciência disso e continuo a arranjar desculpas com as preocupações sobre os outros…
g) estou mais feliz, mais bonita, mais sonhadora e melhor cozinheira
h) já conheci gente de literalmente todo o mundo, o que me abriu horizontes e ensinou-me lições…

Enfim, o balanço é bastante positivo…No meio de risos, lágrimas, festas, jantares, trabalho e mais trabalho…

No fundo, no fundo sinto-me ainda um bebé…Nos seus primeiros passos…

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