Dec

03

Fénix…

by Cláudia Gonçalves

Como devem ter reparado, o blog não tem sido alimentado há muito tempo. Há pouco mais de um mês. Para os menos instruídos, exactamente desde que o meu pai faleceu.

Ainda não tinha escrito nem falado sobre isso porque não conseguia, talvez este seja o momento certo… Será que o passamento físico do meu pai mudou a minha vida aqui em Londres?

Primeiro passamento físico é a expressão usada numa das terras queridas do meu pai, segundo há que dar uma pequena cor de riso aos dias…

A vida muda depois de um acontecimento destes? Não, os horários são os mesmos, os amigos são os mesmos, o trabalho…enfim…voltar a Londres foi regressar à minha vidinha de sempre…Sim, tudo é mais díficil de suportar, o frio já não tem aquela beleza, o trabalho perdeu a cor é mais dificil lidar com stress…

Enfim…como Fénix, o mundo acabou e sinto que chegou o momento de juntar as pedrinhas e tentar construir a casa toda de novo. Se custa, custa muito, custa horrores…Mas não há nada que Deus ponha no meu caminho que eu não consiga suportar…já diria o meu amigo Marco Aurélio…

Só que também aprendi que há coisas que nós temos o direito de dizer que não queremos suportar em nome da dignidade humana. Chega…Tanta cruz e karma…Ser um pouco egoista nos

dias de hoje é mais do que um direito, é uma forma de sobrevivência…

A pessoa diplomática que era tomou novos contornos…Não ando no mundo para tentar colocar toda gente num plano de harmonia. Agora é a minha vez.

A guerra continua mas agora guerrilho noutra batalha, na batalha de me fazer renascer a mim mesma, mas mais forte e sábia.

Não por ser uma coisa que o meu pai quereria, mas porque eu quero. Tenho pena de a última vez de ter visto o meu pai ter sido no hospital Amadora Sintra, ligado a uma máquina com um bip bip com som de fundo.

Também tenho pena que as vezes as pessoas não estejam à altura das minhas expectativas como eu não estou às delas. Tenho pena do mundo não ser justo. Mas que se pode fazer…Não sou a Super Mulher para o mudar, apenas posso tentar fazer a minha parte.

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