Oct

05

Assédio sexual no trabalho está a aumentar

by Cláudia Gonçalves

Assédio sexual no trabalho está a aumentar No ano passado, foram instaurados mais de 300 processos disciplinares relacionados com este crime. Estima-se que quatro em cada dez trabalhadoras são assediadas no emprego, mas por medo e vergonha a maioria não o denuncia.


No ano passado, foram instaurados mais de 300 processos disciplinares relacionados com este crime, que o inspector-geral do Trabalho diz estar a aumentar em Portugal.

“Todos os dias, de norte a sul do país, há mulheres vítimas de assédio sexual no local do trabalho”, alerta Fausto Leite, advogado especialista em Direito de Trabalho, assegurando que os casos que chegam a julgamento “são apenas a ponta do icebergue”.

Fátima (nome fictício), de 36 anos, foi uma das vítimas com coragem para denunciar a situação e enfrentar o chefe em tribunal.

Na empresa de call-center, onde trabalhava há três anos, os avanços do novo superior hierárquico começaram subtilmente: elogiava-a com frequência e atribuiu-lhe mais responsabilidades. Pouco tempo depois começou a acompanhá-la nos serviços externos, criava pretextos para estar sempre a seu lado e à saída do emprego pedia-lhe boleia. Na noite em que a convidou “para subir a sua casa e beber uns martinis” Fátima assustou-se.

“Quando comecei a recusar sistematicamente os convites, foi o descalabro total. Passou a controlar-me, mudou os meus horários para que eu almoçasse sempre sozinha, nas reuniões não me deixava falar, chegava ser agressivo e a humilhar-me em frente aos colegas”, conta a mulher de olhos verdes, que recorda os “angustiantes” momentos em que o chefe “ficava parado ao fundo da sala, com as mãos nos bolsos, a olhar fixamente” para ela.

(…)

Notícia completa

in Expresso, 5 de Outubro de 2008

Alguns de vós sabem como este assunto é-me particularmente dificil de lidar, apesar de, confesso, graças a Deus não sou suficientemente bonita para alguma vez ter sentido na pele o que isto é.

Mas sei de muitas histórias…Algumas histórias bastaram-me para entender, nunca de forma plena, a dor, o stress, a mágoa, a angústia de se sentir pressionado por alguém superior a ti, que pode controlar a tua rotina e que tenta alcançar-te de uma forma que tu não queres nem que nunca te passou pela cabeça.

Mas o que quero escrever não tem nada a ver com a minha experiência pessoal ou com que vi acontecer à frente dos meus olhos. A minha preocupação vai para o facto desta podre atitude estar a aumentar em Portugal.

Uma breve análise das causas…Nada díficil. Os directores/superiores sabem que hoje nos dias que correm ninguém se despede porque o mercado está extremamente dificil, sabem que podem abusar, pedir horas extra sem vencimento, massacrar, exigir, humilhar, porque as pessoas têm que comer…

Portugal é o único país da UE que em vez de andar devagar ou depressa para a frente anda para trás…países da Europa de Leste com entrada recente conseguem ser mais inteligentes que o meu país como um colectivo que não acredita nos bons principios e agarra-se ao egoísmo como forma de sobrevivência. Neste momento a conclusão a que chego é que as pessoas já nem estão dispostas a viver porque não sabem o que isso é. Vão sobrevivendo, aturando tudo, remediando o que podem e assim se caminha em circulo para lado nenhum…

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